E ainda bem.

Têm sido semanas loucas. Ou se calhar não. Se calhar não têm sido semanas assim tão difíceis! O que é isto (de acordar bem cedo para ir trabalhar; procurar casa; escrever; filmar e editar…) comparado com a vida de algumas crianças?! O que é isto comparado com a vida dos pais e familiares dessas crianças!? Nada. Absolutamente nada.

Hoje fomos (a Rádio Comercial) visitar as crianças que estão no IPO. Meus amigos … é um murro no estômago. Não há outra maneira de dizer isto. Não há. Um murro que nos faz acordar para a vida. Fomos com o objectivo de levar energia positiva. E sim, conseguimos. Sorrimos, demos umas valentes gargalhadas, cantamos as música do Vasco, distribuímos autógrafos e mimos, batemos palmas aos palhaços da Operação Nariz Vermelho … 🙂 Acho que naquele tempo nós conseguimos aliviar os enjoos e a má disposição característica dos tratamentos.

Nenhuma criança devia passar por aquilo. Nenhuma. Não devia ser permitido.

E evitar lágrimas? Complicado. Logo eu que sinto tanto tudo! De vez em quando afastava-me para não mostrar o que estava a sentir  … eles não precisam das minhas lágrimas. Precisam de esperança, de olhar para a frente, de sonhar, porque como uma enfermeira disse “a vida continua e eles têm de sonhar!” Num dos corredores existe uma tela onde estão muitos dos sonhos daquelas crianças: um queria ser duplo; outro ter uma piscina; viajar …

Agora digam-me, como é que depois de uma manhã na ala pediátrica do IPO nós voltamos à nossa rotina? Como? Difícil. A esta hora ainda tenho o olhar da Bruna na minha cabeça; o Afonso e tantos outros com os quais estivemos à conversa e tiramos fotografias.

Obrigada por este abrir de olhos. Obrigada também a todos os profissionais que nos receberam e que nos guiaram. Que coragem! Que Mulheres! Que Homens! Obrigada.

E é por isto que a minha semana não tem sido nada difícil ou complicada. Nada.

 

 

 

 

 

Comments

comments