Eu sei, as mães falam sempre das mesmas coisas, queixam-se sempre de alguma coisa (e repetem imediatamente que, por eles, vale tudo a pena), andam sempre cansadas, às voltas com a casa e com os filhos, com o trabalho e tudo mais… E é verdade, pois na maternidade não existe uma grande ciência e, mais cedo ou mais tarde, muitas de nós acabamos por passar exactamente pelas mesmas situações, temos as mesmas fases, as mesmas aventuras, as mesmas dores e as mesmas alegrias. E, acima de tudo, todas nós somos privilegiadas por poder conhecer este amor inexplicável e único que se sente por um filho!

E o sono é um desses assuntos. As mães estão sempre a falar dele e das suas noites mal dormidas. É verdade, é uma seca. Contudo, é um facto nas nossas vidas! Um terrível facto que não passa com o tempo e que cuja solução não está, muitas vezes, ao nosso alcance.

Eu tenho saudades de dormir, tenho saudades de não passar as noites em sono leve; de me deitar e de, logo a seguir, ter que me levantar; de acontecer não dormir uma noite e mesmo assim ter que acordar sempre cedo no dia seguinte. No fundo, tenho saudades de dormir uma noite normal, sobretudo, porque, com o passar do tempo, a recuperação dessas más noites é cada vez mais demorada e as consequências cada vez maiores. Uma noite bem dormida torna-se insuficiente para acordar bem-disposta, continua a sensação de cabeça pesada; com dificuldade em manter os olhos abertos; passar metade do meu dia a tentar vencer esse estado de espírito e a outra metade a pensar se isto algum dia vai mudar ou se é simplesmente uma “sentença” para a vida!

E nada disto a que me refiro tem a ver com as más noites dos meus filhos directamente. Já ultrapassámos essa fase – ALELUIA – e está simplesmente relacionado com o facto de termos filhos e pronto, em como os dias nunca são iguais (e muito menos as noites). Os motivos pelos quais acordam vão variando: umas vezes é fome; outras vezes, estão doentes; como se não bastasse, às vezes, também têm insónias ou acordam sem vontade de voltar a adormecer – também acontece fazerem xixi na cama uma ou duas vezes na mesma noite…

No fundo, uma noite que tem tudo para correr bem, pode correr muito mal e os filhos podem acordar à vez, mas para ti, é sempre a tua vez lá ir. O cansaço, bom, o meu truque é tentar que ele se mantenha o mais distraído possível e, por isso, levo uma vida o mais activa que consigo. Habituamo-nos a viver com sono, algo que eu duvidava claramente que fosse possível – antes de ter filhos, óbvio!

É que, no meio de tudo isto, há um padrão de sono que se vai alterando e que nunca mais volta a ser como era antes. A minha sensação é a de que passei a descansar durante a noite em vez de dormir e sinto que esse descanso é insuficiente. Porém, vai ser sempre assim, não é?!
Os anos vão passando e os motivos são variando, mas dormir como nos tempos de antes, isso não vai voltar a acontecer, pois não?

Mães de filhos crescidos, digam lá como são essas noites?

E acreditem que, para nós, torna-se tudo ainda mais complexo ou não fosse a nossa bipolaridade em que vivem também as mães. As mães andam quase sempre em dois lados completamente opostos, por um lado, sabemos que tudo isto faz parte, temos a paciência, a calma e o discernimento para ultrapassar tudo e, ao mesmo tempo, somos capazes de pensar coisas como: “mas onde é que eu tinha mesmo a cabeça quando decidi ter filhos?!”

Um beijinho,

Vera Dias Pinheiro

 

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