Viajar é talvez dos melhores investimentos que podemos fazer por nós e, sem dúvida, pelos nossos filhos também. Aliás, não é talvez, é mesmo! E, nesse aspecto, é provável que tenhamos sido privilegiados com a nossa localização geografia durante o tempo em que vivemos em Bruxelas e, por isso, o Vicente começou a viajar com apenas três meses de vida e nunca mais parou. A proximidade que esta cidade em particular tem com tantas outras de diferentes países é grande e isso alimentou o nosso gosto em andar sempre de um lado para o outro. Afinal, quem não gostaria, certo? Sem ter que pensar sempre em bilhetes de avião e, sobretudo, de ter que fazer sempre muitas contas para que, no orçamento familiar, se consiga pensar em viajar com crianças.

No entanto, ver no Vicente a forma como fala das experiências que já teve – e das quais se lembra, claro – e o entusiasmo com que fica quando se apercebe que vamos andar de avião para um sítio diferente, é aquilo que mais alegria nos dá. Tanto assim é que, embora já tenhamos pensado várias vezes em fazer uma viagem a dois, a nossa escolha recai invariavelmente em irmos os quatro e continuar a alimentar algo que acreditamos contribuir muito e “em bom” para a sua educação.

E foi este o motivo pelo qual, desde o ano passado, decidimos que sempre que possível, iríamos abdicar de lado material do Natal, canalizando os nossos esforços para conseguirmos fazer uma viagem os quatro – podem relar o post Este Natal não oferecemos presentes. É esse o tipo de experiências que queremos dar aos nossos filhos, é das fotografias desses dias que quero que se lembrem e que peçam para ver e que, mesmo sendo a estafa que é, acredito que ficamos mais fortes em família – que é o nosso compromisso. A rotina privamo-nos de tanta coisa e uma delas é, sem dúvida, do desprendimento pessoal e emocional que as férias nos proporcionam e, por vezes, só mesmo indo para longe. E viajar com crianças acaba por ser uma enorme aprendizagem para nós, enquanto pais e seres humanos.

Sendo assim e mesmo depois de alguns contratempos e de grandes dúvidas, já escolhemos o destino para este ano e até já temos aquele nervoso miudinho com que ficamos com o entusiasmo de uma ida. Entretanto, vais ser o caos, sei que me vou irritar e que me vou passar, porque acho que ninguém me ajuda e que todos ficam à espera que decida tudo. É muito provável que se discuta no dia da viagem porque… olhem nem sei bem, só porque sim, porque fica sempre muita coisa para última hora e porque há sempre birras nos momentos em que não devem haver… sei lá.

Mas depois ninguém nos tira o brilho no olhar quando entramos no aeroporto. É naquele momento que eu e o meu marido fazemos sempre uma retrospetiva do que tem sido a nossa vida, é onde conseguimos ver nitidamente porque estamos juntos e aquilo que nos move. Temos um espírito aventureiro e desprendido, eu talvez mais do que ele, mas ambos percebemos que a vida tem muito mais para nos dar e é nisso que temos que nos concentrar diariamente, sem perder o nosso foco.

Se calhar vão dizer que escolhemos uma altura péssima para viajar, sobretudo com crianças, o Inverno. O frio, a chuva, neve… quem sabe 😊 não são propriamente elementos atractivos para se fazer uma viagem. Sim, têm razão, para além disso, a quantidade de roupa, o volume da mesma, é completamente diferente. Mas é quase Natal, tudo tem um outro encontro, o nosso próprio estado de espírito é diferente. No verão temos o nosso cantinho chamado Portugal tão privilegiado com sol e calor, praias e outros destinos maravilhosos à nossa espera.

Um beijinho,

Vera Dias Pinheiro

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