Sim, todos nós chegamos lá! Enquanto pais, todos nós chegamos a todas as fases dos outros pais, que vão à nossa frente, já chegaram. Mas chegamos à nossa maneira, com as nossas próprias tentativas-erro. Não vale a pena estarem a dizer-nos o que nos vai acontecer a seguir ou, de certa forma, a subestimar o que estamos a passar apenas porque “quando eles crescerem é que nós vamos saber o que é que custa”.

Somos todos pais e somos todos imperfeitamente iguais. Todos nós sentimos coisas idênticas quando, por exemplo, nos colocaram um recém-nascido nos braços; ou quando tivemos que lidar com a privação do sono; ou quando temos um filho que não come; ou, então, quando amamentação, afinal, se transformou num pesadelo e não naquela coisa que parecia tão natural. Quem passa por estas, e por outras fases, da maternidade, fá-lo à sua maneira, mas, no fundo, passamos todos de igual modo – parece um pouco contraditório, não é?

Não vale apena, agora que já vamos lá mais a frente – e que percebemos que, afinal, o de antes não era nada quando comparado com o que estamos a viver agora – dizer aos outros pais que nada daquilo é tão mau quanto possam pensar. É mau sim! Há coisas muito difíceis e complicadas de ultrapassar e, para além disso, deixem-nos aproveitar o presente.

Enquanto mãe, não quero viver a pensar no depois, não quero ter que reprimir aquilo que sinto porque já se sabe que vamos acabar por descarregar em quem menos merece. Também é importante que se distinga aquilo que é um conselho ou opinião e o que é o “ditar” ou impor algo. Cada mãe tem o seu jeito e a sua maneira de ser, se bem que lá no fundinho, vamos todas acabar por fazer muitas das coisas que dizíamos não vir a fazer. A isto chama-se a lei natural da vida e do ser humano. A realidade é bem mais complexa do a teoria.

Na fase em que me encontro, com dois filhos, uma de 20 meses e outro de 4 anos, em que a exigência física é grande e a ginástica psíquica para exercer o meu papel, dentro da pouca maturidade que os dois têm, é demasiado grande. Mas se as coisas pioram na adolescência, eu consigo perceber isso, mas sinceramente não quero preocupar-me com isso neste momento. Agora interessa-me conseguir dialogar com os dois, gerir a relação entre os dois, gerir o tempo com dois e o tempo para mim, sem me sentir atropelada por um camião todos os dois.

Na maternidade preocupamo-nos muito com os filhos dos outros, com a forma como as outras mães cuidam e educam os seus filhos. Mas o que nos importa isso ao fim do nosso dia? Nada, não é verdade? E isto parece ser um daqueles assuntos mais do que falados – que é – mas continuamos a deixar que o nosso instinto seja mais forte e que vença.

Temos que aprender a respeitar que quem não faz igual a nós, não faz de forma errada. Faz diferente e talvez até tenhamos alguma coisa a aprender com esse alguém. Sem esquecer que é muito bom deixar que cada um se aperceba por si mesmo das coisas. Hoje sei que preciso de ter mil vezes mais paciência; que por muito que tenha dois filhos que gostam um do outro, não me escapo às implicâncias, aos empurrões, aos gritos, ao “não fui eu, foi ela” e por aí a fora. Que nunca temos dois filhos iguais e que, se há alguma coisa que corre muito bem, isso tem mais a ver com a personalidade da criança do que propiamente com a nossa habilidade.

Dou-vos o meu exemplo, eu achava que tinha um master em rotinas e em fazer com que os meus filhos adormecessem sozinhos. Achava até ter o segundo filho e sentir que, afinal, não sabia nada! Senti ainda mais dificuldades, senti-me ainda mais incapaz e até duvidei de mim. Mas a verdade é que o filho muda e a nossa estratégia também tem que mudar e ter esta capacidade, no dia-a-dia, para chegar a cada um de forma distintas, não é fácil.

Um beijinho,

Vera Dias Pinheiro

 

 

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