Num século em que a tecnologia superou todos os limites da imaginação e em que o globo terrestre mirrou, aproximando-nos a paisagens e culturas tão díspares daquelas onde nascemos e fomos criados, deveria ser inconcebível que as sociedades ainda discriminassem e ostracizassem pessoas pela sua diferença face à norma. Mas a verdade é que às portas de um 2018 promissor da Inteligência Artificial os homens continuam a querer meter nesse colete de forças chamado “socialmente correcto” ou “normal” outros seres humanos.

Porque o tema é-me particularmente querido e porque nunca é de mais recordar quem procurou desfazer as linhas com que se coseram muitas vidas, este filme surge como uma oportunidade de reflectir e de olhar duas vezes para quem está ao nosso lado, recordando que «ninguém marcou a diferença sendo igual aos outros».

O Grande Showman é um drama musical que conta a história de P.T Barnum, um artista circense norte-americano que produziu um espectáculo único para a época, rompendo tabus e dando a possibilidade aos seus colaboradores de ter uma «vida mágica e maravilhosa» ao converter em potencial de negócio as diferenças que a sociedade classificava de “macabras”. Anões, gigantes, trapezistas, mulheres barbudas, mágicos e palhaços, Barnum colocou consigo «todo o tipo de gente no palco, apresentando-os como iguais».

E se dói confrontarmo-nos com o facto de que, como diz Barnum, «as pessoas são fascinadas pelo invulgar e pelo macabro», o certo é que O Grande Showman alimenta a esperança e enche o coração. Com a música maravilhosa de Pasek and Paul (La La Land), os principais papéis são representados por Hugh Jackman, Michelle Williams, Rebecca Ferguson, Zac Efron e Zendaya.

Sandra Marques Augusto | Colectivo 71.86

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