Dias de neura …

Sabem aqueles dias em que chegamos a casa com uma neura?! Nem é bem neura é qualquer coisa que nos deixa com aquelas rugas vincadas na testa, aquele tom azedo que começamos a sentir, a falta de paciência para quase tudo  … E o pior é que uma pessoa nem se apercebe quando e porquê que ficou assim!

Estamos tão irritados e sensíveis que disparamos em todas as direcções, tudo nos faz levantar a voz! Não, não é aquela altura do mês… gosto de pensar que é uma espécie de teste: “vamos lá ver como é que tu dás a volta a isto?” Aviso já que eu chumbo.

Quando estou assim levo tudo à frente. Infelizmente quem paga são sempre os mesmos: que nos amam, os que estão por perto, os que não nos faltam, aqueles que sonham com a altura do regresso a casa para um abraço e um sorriso … só que em vez disso oferecemos uma neura ou como o Miguel costuma dizer “uma nuvenzinha” que dá cabo da paciência de qualquer um! Nem eu tenho paciência para mim nestes dias.

Hoje ao acordar reparei que tinha mais uma ruga! Acho que foi aí que começou a minha indisposição. Tenho 39 anos, em miúda não tive os cuidados que devia ter , sempre gostei de apanhar muito sol e nem sempre com os cuidados adequados, e durante muitos anos não descansei o que devia: chegava a dormir 3/4 horas! Tudo isto junto “não mata mas mói”, já lá diz o ditado.

“Ai são rugas de expressão!” Que nada. Parei logo na parte “são rugas”! Não há uma única ruga que seja boa. Quem diz que sim é porque não é sincero. Ou quer ser simpático. é o que eu digo a mim própria para não deprimir. Hoje quando reparei nessa nova “miga” na minha cara pensei nos Shar-pei. Sabem quais são? Aqueles cães que tem pele enrugada? Isso.

“Põe cremes!” Já ponho. “Bebes água?” Muita. “Dormes o que devias?” Tem dias. (Esta é aquela altura em que eu reviro os olhos!”)

Com tanta nuvem decidi vir para aqui escrever e dei de caras com este texto guardado no meu computador:

 

 

Este texto não fala de rugas mas fala no presente. Eu gosto de recordar o passado, de imaginar o futuro mas adoro saborear o presente. E logo agora que dei aqui um valente abanão à minha vida! A verdade é que quando estou (estamos) assim não saboreio. Por isso li este texto do Mário Quintana algumas vezes.

“The time os now” cantavam os Moloko.

Bola para a frente que atrás vem gente: 🙂 Força aí que o sol já espreita e a temperatura está a subir!

 

Foto por Laura Fontoura

 

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