Há mulheres que desde cedo souberam que queriam ser mães. Eu não tive logo essa vontade.

Tive quando quis e já depois dos 30. Fui mãe aos 35. Basicamente foi nessa altura que senti que estava na altura e que queria muito ter um filho.

Se tive medo? Muito. Apesar de ter 3 sobrinhas e de ter acompanhado de perto as gravidezes e tudo o que se seguiu, há sempre receio de não saber responder às necessidades do nosso bebé. Lembro-me bem que ainda no hospital na primeira noite com o Manuel ao meu lado pensei “E agora? Quando ele chorar?” ou então por altura do primeiro banho (ainda no hospital) “Não vou consiguir. É tão frágil!” Nós conseguimos tudo.

O meu pós parto foi terrível. Aliás se eu for a ver a minha gravidez também não foi lá grande coisa: aos 4 meses fiquei internada com uma gastro muito violenta (comi peixe estragado) que me deixou uma semana no hospital e a tomar antibiótico. Como devem calcular não foram tempos fácies … mas também foi aí que fiquei a saber que ia ter um menino. 🙂 E eu queria tanto um menino. Ainda tive outro problema, mas esse deixo para um futuro post. 🙂

Voltando ao pós parto … não foi fácil: fiz cesariana (porque não fazia dilatação e possivelmente até é hereditário – a minha irmã fez 3 cesarianas, apanhei uma infecção e amamentar era extremamente doloroso. As mães defensoras da amamentação que me perdoem mas não gostei e não tirei nada de bom desse tempo. Era doloroso para mim, para o meu filho que nunca ficava satisfeito e consequentemente para todos os que sentiam este meu stress. Criei nódulos, as subidas de leite … não gostei. Lembro-me das palavras da minha médica: “Não somos menos mães por não darmos peito!” “Não é para si nem para o bebé. Vamos resolver” Resolvi e tudo melhorou.

Fui para casa e tratei sempre do meu filho sozinha. O pai do Manuel trabalhava o dia todo e só ajudava à noite com o banho. De resto, era eu sozinha e quando alguém ia visitar-me que ficava um bocadinho de olho nele para eu tomar banho em condições.

Olho para trás e vejo que até nisto foi importante a idade. Não estou a dizer que com 20 eu não teria feito o mesmo, não sei mas acho sinceramente que a maturidade é importante para gerir um caos principalmente quando estamos sozinhas: as hormonas, falta de sono, casa desarrumada, nós sem tempo para nós, a roupa, os biberons … é muita coisa.

Perguntam-me se não me arrependo de ter sido só depois de 30… Não.

Sou mãe de um super pirata que me tira do sério mas que é a melhor companhia do mundo, dá-me cabelos brancos e rugas mas faz-me dar gargalhadas com as suas piadas.

Só espero que o meu filho sinta a admiração e amor por mim que eu sinto pela minha mãe. Da pouca ajuda que tive no pós parto foi dela. A minha mãe  que ainda hoje é a pessoa a quem eu recorro quando tenho dúvidas, medos, quando preciso de desabafar …

“Mãeeee”, “Mãe” … acredito que ás vezes reviramos os olhos quando ouvimos 20x num dia mas é a melhor sensação do mundo. 🙂

 

Feliz Dia da Mãe.

 

 

 

 

 

 

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